É, a gente vive e a gente muda. A gente faz coisas que aquele amigo que tivemos na 3 série nunca imaginaria. A gente se muda, vai pra outra cidade, vai pra outra casa, vai pra outro emprego. A gente se forma e quase nunca informa, deixa o tempo passar e um dia desses, quando for o caso de se bater com a filha daquela nossa amiga de infância na sessão de refrigerantes do supermercado a gente pensa “nossa, como ela lembra aquela minha veeelha companheira de Barbie.” E eis que a dita cuja aparece logo atrás.
A vida é engraçada, os planos mudam tanto, as expectativas, o jeito de ser, os gostos musicais e gastronômicos. Mas as coisas que ficam são tão gostosas... elas lembram aquelas que sofreram mutação e dá aquela sensação boa de olhar pro nada e pensar: “Ai, ai... bons tempos naquela época, não é fulano?!”
As vezes a gente não tira foto do que vai ser um minuto inesquecível, outras vezes a gente só torna certas coisas inesquecíveis pq temos a foto pra olhar. Que coisa doida. Mas e quando vc revê alguém que há anos não via mais? A pessoa que tinha tudo pra ser um viajante do mundo está agora enfurnada em um escritório, cheia de papéis pra todos os lados, estressada e não conheceu quase lugar nenhum... Ou então aquele amigo acanhado, que falava baixinho e tinha vergonha das piadinhas alheias agora é o apresentador de um programa que fala se sexo, ou é o vencedor do Ídolos Brasil. Quem poderia imaginar que chegaríamos até aqui...
Esta semana foi proposta por uma amiga à nossa turma do ensino médio que nos encontrássemos, depois de 5 anos do fim do colégio. Tomara que funcione, pq histórias interessantes e muita nostalgia não vão faltar. E a fofoca retroativa? Aliás, é por causa dessas mudanças tão engraçadas que a vida faz a gente dar que a fofoca é tão prazerosa as vezes. A surpresa de descobrir o que parecia nada provável causa deslumbramento!
Eu sei é que passei 7 meses morando no Canadá, escrevendo por inspirações de uma intercambista, pra expressar a saudade ou pra compartilhar tanta novidade e no piscar de 17 horas de vôo minha vida começou a mudar novamente, mas não pra ser como antes de ficar diferente pela primeira vez, nem pra ser como daqui uns 4, 5, 6 anos... e quem se arrisca a saber o que vai virar até lá?
Esses e outros devaneios que aparecem do nada são coisas que, como diria uma amiga minha, “Só FROID explica”.

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